DIREITA BOCA SUJA
Você certamente sabe de uma verdade que é amplamente
conhecida por todo o brasileiro: a maioria dos apresentadores de podcast transmitidos
em português, são pessoas completamente imorais, que não se preocupam com a
educação de crianças e adolescentes com acesso a telefones celulares e,
portanto, alvos potenciais da linguagem indecorosa que eles usam enquanto agem
como se estivessem prestando um grande serviço de utilidade pública à
população.
É o populacho ralé que encontrou no Youtube uma forma
de aparecer para o mundo.
São, na verdade, uma das maiores vergonhas atualmente
enfrentadas pelo eleitorado conservador.
Infelizmente se criou no Brasil a hoje crescente «direita
boca-suja».
É uma direita cuja origem talvez não seja difícil de
identificar: nos primeiros anos da década de 2000 surgiu na internet um
filósofo e cientista social que fez isto. Chamava-se Olavo de Carvalho e
em meio a um discurso exemplar, profundo, bem estudado, muitas vezes de
incomparável beleza estética, sabedoria e conteúdo filosófico e social de
profundidade exemplar, ele inseria algumas bandalheiras.
Apesar da forma aparentemente inconsequente no uso de
palavrões, Olavo tinha, no entanto, um objetivo nobre: ele havia iniciado um
podcast visado despertar uma direita estudantil no país. Precisava alcançar a
juventude e sabia que mesmo usando o melhor que o vernáculo lhe proporcionava e
com o qual tinha uma facilidade extraordinária de uso, jamais chegaria a este
público através de uma linguagem puramente clássica.
Que jovem iria se interessar por lições de filosofia,
religião ou política num sistema de ensino já degradado e repleto de
professores de péssima qualidade, composto em grande parte por ativistas
políticos e sindicalistas medíocres promovidos ao magistério?
Para falar com a juventude seria preciso encontrar uma
linguagem própria, impactante, que despertasse curiosidade, mas ao mesmo tempo
fizesse ressurgir o amor dos jovens pela alta cultura; que lhes fizesse
recrudescer o prazer pelo debate.
O Olavo criou, então, uma estratégia para penetrar
neste meio: inserir palavrões — que sempre foi algo
muito comum entre os jovens de qualquer época — em meio a grandes lições de
política, filosofia, vida em sociedade, religião e tantos outros campos do
conhecimento humano nos quais, o futuro demonstrará, era ele um professor inexcedível.
E o projeto deu certo. Olavo de
Carvalho conseguiu, graças a palavrões misturados com alta filosofia,
penetrar no pensamento da juventude brasileira e a despertou para fazer parte
de uma direita consciente, culta e politicamente organizada. Fez um grande
trabalho para a democracia e também para o redespertar da religiosidade
brasileira, mas infortunadamente foi mal interpretado por alguns de seus
adeptos que, infelizmente, começaram a usar as redes sociais na tentativa de
retransmitir seus ensinamentos, mas não souberam entendê-lo.
Interpretaram mal sua estratégia e utilizaram o que de
pior existia em suas palavras: a linguagem obscena, inculta, inconveniente,
despudorada, chocante que ele havia utilizado apenas como meio e jamais como
fim, e passaram a usá-la como se fosse uma linguagem de conteúdo, uma linha de
expressão que derivasse do melhor que lhes podia doar a Língua Portuguesa.
E o resultado está sendo triste. Surgiu em nosso país
a direita boca-suja que não têm um milésimo da
sabedoria filosófica e social das quais Olavo de Carvalho era um provedor
incansável, e ainda conseguiram fazer, da comunicação social, um difusor de
ofensas, palavrões e idiotices que imaginam ser doutrinamento político.
Não sabem falar, não possuem argumentos suficientes,
mas pensam que irão ser considerados tão cultos quanto era Olavo de Carvalho,
se disserem palavrões. Esta é a inteligência brasileira dos dias de hoje.
A ideologia marcante e bem argumentada que deveriam
transmitir, misturam com Jesus e acabam incentivando o surgimento de um
evangelismo mercenário, enganador e estelionatário da fé que perigosamente
começa a dirigir o país.
Enriquecem pastores e bispos enquanto
incentivam a entrega do dízimo que na maioria das vezes tira
dos crédulos e ingênuos as raspas do que sobra do pouco dinheiro que estes
recebem pelo trabalho e que poderia servir para alimento ou educação dos
filhos.
Imaginam, em sua idiotice imponderável, que dizer
palavrão é sinônimo de cultura linguística.
E o péssimo costume infelizmente parece ter se
espalhado. Não bastasse as instituições nacionais estarem repletas de
criminosos e narcotraficantes cuja presença foi facilitada pelos governos
petistas, parece que os concursos públicos já não servem mais para triagem dos
melhores e mais capazes
Uma denúncia da imprensa fez com que fosse relevado o
nome de um conhecido apresentador de podcast como pertencente a Agência
Brasileira de Inteligência – ABIN. O podcast em referência foi, enquanto durou
ou continua durando, um dos maiores exemplos de como o palavrão, a imoralidade
linguística, a obscenidade pública foi capaz de atingir em cheio as
comunicações e instituições brasileiras e está infestando a formação moral das
famílias.
Ninguém se importa se crianças estejam assistindo.
E pior que tudo: o fato demonstrou o despudor e
despreparo da própria ABIN ao empregar o tipo de agentes que emprega. Se uma
pessoa como esta, que o Brasil ficou conhecendo através de seus podcasts e
também através dos quais pode constatar o grau de cultura e o modo obsceno de
se expressar em público é tido como grande influenciador…
Se uma pessoa assim é contratada pelo governo para
servir um setor de “Inteligência”, a que grau de moralidade pessoal o governo
brasileiro pretende atingir com seus funcionários?
Um dia os brasileiros, no futuro talvez bem distante,
possam examinar o quanto os governos socialistas criados pelo petismo
brasileiro trabalharam para destruir o sistema de ensino e criar dependentes de
ajuda governamental em troca de votos.
